Voltar ou não? Eis a questão!

- Andreia B. Rosadas

Relato

Muito em breve parto para uma jornada a procura de "não sei bem o que". É como se caminhasse no mundo desconhecido de mim mesma.

Levo dentro de minha mochila todos os meus medos, anseios, receios; minhas ansiedades, frustrações, "pecados" (talvez por isto minha mochila esteja tão pesada). Não sei se conseguirei deixar todos junto ao barro batido de cada pegada, de cada passo deixado para trás. Mas se não conseguir deixá-los, tentarei ao menos reconhecê-los.

Ah! Levarei também as minhas alegrias. E como elas vão comigo? Vão como minhas lembranças de tudo o que possuímos ou detemos de mais puro e belo.

Levo comigo, em cada passo, todos os meus amigos, de farras; de conversas; de caminhadas; de estudos; de trabalhos; de vidas vividas, passadas, presentes e futuras.

Levo a força física e moral. A amizade de cada um, para me dar ânimo e forças nos momentos em que julgar me encontrar cansada ou em dificuldades.

Levo como combustível para esta longa trajetória, para tantos quilômetros onde encontrarei e conhecerei novas pessoas; novas Andreias, a fé e o amor.

A fé que nutre em mim a esperança de que podemos nos tornar pessoas melhores; mais sinceras; mais amadas e mais amáveis; mais corajosas; menos preguiçosas; mais dispostas a fazer algo para melhorar a energia em torno de nós mesmos e este "em torno", se tornar cada vez mais amplo, cada vez mais largo e elástico.

Fé em sermos cada vez mais dignos, não de misericórdia, mas de entender as expressões de amor que nos cercam. Fé em podermos conseguir tudo o que desejamos, chegar aonde queremos, bastando para isso dar o primeiro de muitos passos na direção de nossos objetivos. Fé em entender que a vida é construída de etapas; umas mais fáceis, outras mais difíceis; outras tantas penosas; mais e menos felizes, mas que de qualquer maneira, caminhando com responsabilidade e atenção, passaremos por todas elas.

Fé nos meus pés, na minha base, na minha família, na minha educação, que me levam a qualquer lugar e até, quem sabe, para dentro de mim mesma.

E o amor? Ah, o amor que levo....levo, deixo e certamente trarei de volta.

O amor que vai impregnar tudo em mim; que imantará o meu cajado para que nele eu me apoie e me sinta mais firme. Que estará no meu chapéu a me proteger do sol quando estiver querendo "esquentar minha cabeça". Nas minhas bandanas para segurar o suor a fim de que eu não tenha qualquer problema para enxergar tudo a minha volta. Nas minhas meias e botas que serão a base de toda a minha caminhada....que elas estejam tão cheias de amor para que eu me sinta "pisando nas nuvens", mas quando isto não acontecer, pelo cansaço de uma longa jornada, que eu não me sinta afundando na lama, mas ao menos descansando os pés numa "boa bacia de água morna".

Levo o amor e o carinho de todos vocês. Levo o amor de Deus e a confiança de que chegarei lá. E quando estiver "ao lado de São Tiago, lembrarei de todos os meus amigos, familiares e conhecidos que caminharam comigo.

Irei feliz.....mas com a certeza de que muito mais feliz voltarei.

Estejamos com Deus, Jesus e São Tiago e

"Buen camino para todos nós!"

Ultreya!!

Até a volta!!!

Andreia

R E L A T O S