NO CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA - Parte I

- Walter Jorge

Relato

PREFÁCIO

Qualquer semelhança com coisas ou pessoas é mera coincidência. Os nomes das pessoas foram trocados para manter a privacidade.

É muito difícil para mim prefaciar algo, principalmente escrever um "PREFÁCIO" para as histórias do meu amigo WJ, pois, quando ele não gosta do que penso ou escrevo, costuma enviar-me para o Tibet ou para o Himalaia, para ver se morro de frio ou se eu transformo-me num monge, para jamais, ao retornar ao meu querido Brasil, perturbá-lo (será que eu perturbo?), mas sou duro na queda. Tudo bem, lá vou eu tentar prefaciá-lo (será que estou certo em fazê-lo?).

Essa é uma pequena história, que mais parece ficção, passada no Caminho de Santiago. É contada em cinco capítulos: primeiro, "A Descida do Cebreiro", o autor tenta relatar fielmente o que lhe foi transmitido pelos moradores do trecho compreendido entre o Alto do Cebreiro e Samos, e pela hospitaleira do refúgio de Vega do Valcarce sobre o peregrino apelidado de "peregrino-jato", que efetuou o percurso entre SJPP e a cidade de Santiago de Compostela em 21 dias. O autor tentou encontrar o garoto que vendeu o skate ao peregrino mas não teve êxito. Na entrevista realizada com o "peregrino jato", não foi possível saber nada, pois calou-se num mutismo impressionante.

Quanto ao segundo capítulo, "O Mistério do Cajado", o autor contou com a colaboração de um famoso peregrino que estava efetuando a sua peregrinação anual. Nesse capítulo ele toma conhecimento, no refúgio onde pernoitou, da perda do cajado do "peregrino-jato" e colocando sua poderosa mente e grande capacidade de dedução analógica em funcionamento, conseguiu descobrir a localização exata de onde se encontrava o cajado, possibilitando assim sua devolução ao proprietário. No entanto para conseguir tal feito, apoderou-se, sem conhecimento do dono, de uma bicicleta que estava encostada perto da porta do refúgio.

O terceiro capítulo foi batizado pelo autor de "A Bicicleta". Nele, tenta desvendar um pouco da alma feminina de um ser inanimado e segundo ele, um capítulo difícil de ser escrito. Foram várias noites perdidas e muitas folhas de papel amassadas e jogadas no lixo. Falar sobre a alma feminina já é uma tarefa complicada. Pior ainda falar da alma feminina de um ser inanimado - "uma bicicleta". Será que bicicleta "sente"? Tem "alma"? Tem "desejos"? Sente "amor"? Ou sente "paixão" ?. O autor, aproveitando-se daquele peregrino misterioso, traça uma trama de amor e paixão um tanto estranha e, confidencialmente, contou-me do perigo que estava correndo ao escrever esse capítulo, pois o mesmo iria desencadear uma seqüência de raiva, ciúme e despeito, porque além de fazer o peregrino misterioso surrupiar uma bicicleta e ficar sujeito à prisão, deixa antever cenas amorosas entre um ser animado e um inanimado, como se isso fosse possível.

O quarto capítulo, "A Vingança", é o "reverso da medalha" em relação ao terceiro capítulo; nele o autor tenta retratar todo o drama por que passou o peregrino dono da bicicleta quando não a encontrou onde a tinha deixado . O autor desenvolve todo um enredo com relação à uma pessoa irada e ao mesmo tempo com medo dos acontecimentos futuros. Já o quinto e último capítulo é intitulado "O Bilhete". Após a sua leitura você compreenderá o porquê e dará razões ao autor.

Lembrete: História e ficção aqui caminham juntas.

Walter Jorge

R E L A T O S