UMA MENSAGEM - VIA DE LA PLATA - I

- Telma Javoski

Relato

Carl,

Você está tendo sorte. Esteve na reunião da Associação e comprou o guia!!! Isto é sinal de que o Caminho vai ser facilitado e que você está começando com o pé direito. Fiz o Caminho em setembro e início de outubro. Iniciei em 1º de setembro e cheguei em Santiago no dia 10 de outubro.
Você, certamente, vai fazer o Caminho numa época melhor, com mais flores e mais peregrinos. O melhor teria sido começar ainda em abril ou início de maio, porque faz muito calor por aí. Recomendo que você se poupe, congele parte da água, para não ter maiores dificuldades (não há tantos bares, nem fontes como no Caminho Francês). Quase sempre, nesse início, temos que portar a água necessária para toda etapa. Planeje bem as suas etapas. Se dispuser de tempo, evite, tanto quanto possível, fazer etapas muito longas. Não há quase sombra nesse início.

O guia da Associação de Sevilla está bem atualizado e contém as informações sobre etapas e locais para dormir e comer atualizadas (consultei, em complemento ao que portava, de outros peregrinos). Procure visitar Italica, na primeira etapa, ou ainda daí de Sevilla, se você preferir. Há ônibus para Santiponce.

Há muito que ver em Sevilla e, no caminho, nas imediações de Santiponce (inclusive um monastério que não abre todos os dias, consulte o guia ou informações por aí).

Não saia muito cedo de Sevilla porque a passagem sob uma ponte entre o bairro onde fica a sede da Associação e Camas é por um matagal, com ferro velho ou coisa parecida, que fica realmente perigoso atravessar no escuro. Fiquei com medo e passei por cima da ponte, o que é proibido e perigoso. No primeiro dia dormi em Guillena, no Hostal Bar Francês, por 20 Euros, em cama de casal, pois não havia disponibilidade nos de solteiro, que custaria 15.

A Igreja é linda e tem intenet numa praça, após o Hostal. A hospedagem gratuita é no polidesportivo. É bom você ir até o local da saída da cidade, muito bonito, cruzando o rio, para conhecer e, se possível, fazer a saída com dia claro, pois preferi sair pela ponte, por segurança (saía sempre muito cedo, por volta das 6:00, em função do calor, e só amanhece mesmo por volta das 7:30/8h). Como o local da saída é bonito, vale a pena ser conhecido.

A segunda etapa foi Guillena/Castilblanco, de 20 km. Aí há albergue, logo na entrada da cidade, com a chave no posto de gasolina. É razoável e dormi bem. Há um bar em frente com um dono bem agradável, que me deu uma medalha de São Bento, em forma de coração. É boa gente e abre cedo.

Você vai observar que nessas primeiras etapas você está sempre subindo, de leve, mas sempre subindo. Nas carreteras há quase sempre uma trilhinha pararela, oque dá um conforto maior. Em Castilblanco é lembrada a memória de Cervantes, que escreveu uma novela lá.

A terceira etapa foi até Almaden de la Plata, onde fiquei num albergue particular muito bom, por 6 Euros. As construções dessa cidade são muito interessantes. Nesse albergue, ou nessa cidade, desapareceu minha máquina fotográfica, uma Pentax, não encontrada (voltei e liguei várias vezes). Acho que foi falta de sorte, para não dizer de cuidado, pois éramos 8 peregrinos (exceção nesse caminho, parco de peregrinos).

Esta é uma etapa dura, pois no inicio é carretera, sem opção e quando se entra no parque sobe-se muito. Aconselho que você suba na torre do vigia. Se ele não lhe convidar, peça para subir, pois não subi e soube que se tem uma visão muito melhor do que a que se vai ter dos mirantes, kms adiante. Chega-se ao Monte Calvário, lugar sagrado com muita energia, cansado. Pensava, quando cheguei lá, que tive que penar para chegar ao Calvário...

Na etapa seguinte, quarta, no meu caso, Almaden/El Real de la Jara, você vai passar por uma propriedade no início, em que você precisa ter cuidado com os cachorros, pois, de fato, perseguem os peregrinos e mordem, se dermos moleza. Passado o susto, você vai encontrar um singelo monumento erguido, no caminho, em honra do peregrino fundador da Associação de Sevilha e responsável pelo ressurgimento dessa rota. As cinzas vão estar sob um azulejo, na parede de albergue paroquial bem mais adiante, super legal. Em El Real de la Jara, pueblo muito interessante, com uma fortaleza no centro, fiquei numa casa de família, no nº 70 da rua principal, por 10 Euros. A credencial foi carimbada na Guardia (policia).N o caminho, 1 km após, você verá as ruínas de um Castelo Templário, lindo, avistado da fortaleza do centro. Se você for ficar em El Real e for sair cedo, vale a pena caminhar até lá, para ver as ruinas e um cartaz ilustrativo do local e das etapas seguintes com claridade. É muito perto. Em todos estes pueblos a religiosidade estava muito presente (novenas preparatórias para o Dia da Virgem que seria celebrado no dia 8 de setembro.

Em Menestério a hospedagem é na Cruz Roja, na entrada, com chaves no Hotel Noya, na rua ao lado, que não funcionava naquele dia, por ser domingo. Procure visitar o Monaterio da Virgem de Tentudia, 8 km de desvio.

A etapa seguinte, Menesterio/Fuente de Cantos é celebrada com um Albergue Turístico, maravilhoso, onde você pode se hospedar por 18 Euros. Você vai encontrar outros albergues desse tipo na Caminho, com preços variados, que vale a pena conhecer e se hospedar. É um Centro de Interpretación de Zurbarán.

Coisa importante. Os touros não incomodam. Pode seguir tranqüilo, sempre fechando as porteiras e com muita atenção para as flechas, pois você não deve encontrar muita gente no caminho para perguntar.

Acho que basta de dicas, por enquanto. Mantenha-se atualizada e pergunte o que julgar necessário.

A vegetação em todas essas etapas, é constituída por plantações de girassol ou campos de encinas (árvore que produz um fruto que é utilizado para alimentação do gado e dos porcos, com sucesso, valorizando a carne, muito apreciada e cara).

Bom Caminho, muita disciplina e coragem, pois quando chegar mais adiante você vai ver o que é um verdadeiro Caminho.

Fui de avião para Madrid e de trem para Sevilla. Lá em Sevilla, na Estação da RENFE, obtive informações na Oficina de Turismo sobre aonde ficar (muito bem atendida). Indicaram vários hostais baratos entre 29 e 35 Euros e me ensinaram como ir ao Albergue da Juventude (muito longe). Tinha informações sobre hospedagem no Convento Santa Rosalia, que tem a Hospederia Santa Clara e eles confirmaram a possibilidade com a Sor Angela (superiora) que fixou o preço de 20 Euros, em quarto privativo, com banheiro (não havia ninguém hospedado, somente o padre e elas dão a chave). Pode-se fazer comida (não uso esses serviços) e lavar roupa. É muito simples, mas queria entrar o mais cedo possível na atmosfera de recolhimento e simplicidade (quando fui à Sevilla pela primeira vez me hospedei numa Casa Palacio, muito boa). A Hospederia fica perto do Centro Histórico e dava para ir a pé.

Fiz uma visita à Catedral agora com olhos de peregrina (o ponto de partida do Caminho é em uma de suas portas). A visita custa 7 Euros e consegui selar minha credencial com a ajuda do pessoal da bilheteria. Vale a pena uma visita demorada. Fui até a Torre, não visitada da outra vez. Sevilla é maravilhosa e qualquer guia turístico vai dar informações detalhadas sobre os lugares de maior interesse. Além disso, como vocês sabem, as Oficinas de Turismo funcionam muito bem na maioria das cidades espanholas. Segundo o meu Guia, a reunião da Associação de Amigos realizar-se-ia naquele dia. A pretexto de ir à reunião e de ver o início do Caminho, atravessei a Ponte de Triana e fui para o local da reunião. Quebrei a cara (o passeio foi bom!!!) pois tinham mudado a data das reuniões e, além disso, era férias e as reuniões estavam suspensas. Bem, no dia 01.09.04 comecei o meu Caminho.

1ª etapa - Sevilla/Guillena - 23km

Parti por volta das 6, com tudo escuro. Foi tudo tranqüilo até a travessia da 2ª ponte, já chegando em Camas. Deveria cruzar por baixo e estava sinalizado. Tinha lido na véspera, no meu guia (em inglês), que teria que atravessar uma "slabbed area". Não sabia o que era, mas me parecia que não seria boa coisa e, de fato, não foi. É uma espécie de lixão, com muitos cachorros latindo no escuro. Não tive dúvida, voltei, pois, naquele momento achei que seria mais honroso morrer atropelada na ponte do que ser mordida por cachorros ou atacada por mendigos ou malfeitores... Sobrevivi!!! Quando tive contato com outro peregrino que saiu no mesmo dia que eu, só que mais tarde, pois esperou abrir a Catedral para selar pela manhã, ele disse que não houve problemas e que passou bem. Assim, é só não madrugar... O Ponto alto desta etapa é visitar ITALICA, ruínas da época romana, em Santponce (na saída, do lado esquerdo, perto de uma gasolineria. Perdi a entrada e só me dei conta alguns km adiante. Não percam e não esqueçam de pedir para selara credencial. Vi o selo na credencial de um peregrino e é lindo.

Antes, na entrada de Santponce, há um Monastério, que só abre a partir de 5ª feira. Se coincidir, visitem, pois é muito bonito. Vi somente por fora. A paisagem, nessa etapa, é muito árida, com muita carretera. Na época, os campos de girassóis, imensos, estavam secos e demorei para me dar conta de que era para o óleo de girassol e não por falta de irrigação... Precisa atenção para as setas, pois às vezes o Caminho não tem nenhuma lógica. Você vai se dirigir para a direita, mas o Caminho é pela esquerda ou vice-versa. ATENÇÃO. Em Guillena, fiquei no Hostal Francês (não há albergue, só polidesportivo). Paguei 20 Euros num quarto com cama de casal, pois não havia quarto individual disponível. Se forem de partir cedo, aconselho que dêem uma olhada no Caminho, pois no escuro não é fácil de achara saída. Fui lá no final da tarde e o entardecer no local de travessia do Rio Huelva estava lindo, com pastor e centenas de ovelhas!!! Vi que seria perigoso passar ali no escuro, tirei fotos e, seguindo conselhos, atravessei pela ponte no dia seguinte. Se decidirem fazer o mesmo, vão ao local no dia anterior, é bonito, perto do polidesportivo.

2ª etapa - Guillena/Castilblanco de los Arroyos

Parti cedo, pela ponte, e a lua ainda estava no céu, maravilhosa. Antes das 7h já estava na Venta de La Padrera. É apenas um bar, num polígono industrial. Tive um pouco de dificuldade após a rotunda, mas logo achei o Caminho. Atenção aí. O amanhecer foi lindo, por volta das 7:30h, no meio de plantações de laranjas, oliveiras, algodoeiros e encinas. Muito perfume/cheiro bom, inclusive de erva-doce. Muitos mataburros com "cancelas" de arame, mas pouco gado. Sobe-se sempre neste Caminho, pouco a pouco, mas constantemente. É a Cañada Real, parte do Parque Natural de La Sierra Norte de Sevilla e numa estradinha na saída da Cañada há muito cascalho. Após esta estradinha, há uma estrada pavimentada, mas caminhamos por uma trilhinha no lado direito da estrada. É divertido. Cheguei no albergue antes das 12 horas (chaves na gasolineria ao lado. É muito simples, como todos os albergues dessas primeiras etapas, mas há bastante espaço. Nessa época, havia novenas em todas as cidadezinhas, pois no dia 8/9 é dia da Virgem e cada pueblo celebra a Sua, com muita festa.

3ª Etapa - Castilblanco de los Arroyos/Almadén de la Plata

Apesar de muito simples, o Albergue de Castilblanco foi acolhedor. Melhor dizendo, o pessoal da Gasolinera que fica com as chaves é muito atencioso (guardaram o meu colirio na geladeira deles e me entregaram cedinho) e há um senhor, no Bar em frente, devoto de São Bento, que também acolhe muito bem: estava me esperando, na frente do Albergue, para me desejar Bom Caminho e me oferecer uma Medalha de São Bento, para me proteger durante a caminhada. Vale a pena conversar com ele, pois, apesar de um tanto afetado, dá boas dicas.

Esta etapa começa com uma grande dificuldade: 16 km de carretera. Segui com todo o cuidado, pelo estreito acostamento. A paisagem é muito igual, não há sombra, mas passa-se em frente de cortijos ( fazendas de criação) e fincas (plantação) belíssimos. A subida é suave, mas constante (sobe-se sempre nesse caminho, mesmo que aos pouquinhos).

Por volta das 11:30h entrei no Parque. Logo após a entrada há um guarda que vigia o parque de um mirante muito alto (construção em armação de ferro). Parei para lanchar aí, enquanto conversava com ele e fui alcançada pelos 2 outros peregrinos, ambos espanhóis (um tinha conhecido a Lili no ano anterior, em Jaca). O guarda, Jose Antonio, nos convidou para subir no mirante, agradeci, mas recusei, pois a estrutura era muito alta, com escadinha estreita e teria que tirar a bota para não perder o equilíbrio.

Me dei mal, pois me contaram os outros peregrinos que de lá se avistava todo o parque e que até viram veadinhos pastando próximo a uma lagoa, o que não vimos quando passamos... E disseram mais, que a vista de lá é muito mais bonita do que a dos dois mirantes que vamos encontrar alguns quilômetros adiante. Portanto, não deixem de subir na estrutura de metal do vigilante: se ele não convidar, peçam para subir. Não tenham medo.

Esta etapa do Parque também foi dura, pois sobe-se bastante e fazia muito calor. Além do mais, os animais não deram o ar da graça.

Há umas ruínas interessantes, descortina-se uma linda vista (não tão bonita assim) de 2 Miradores (aí já eram quase 15 h). O ponto alto foi a chegada ao Monte Calvario, lugar sagrado, com energia fortíssima (medi com o meu pêndulo), utilizado desde tempos remotos para fazer rituais. Fiz meus rituais, tirei fotos e desci para Almaden, que está logo abaixo (vale a pena olhar para atrás, no início da descida,pois o Monte Calvário muda de formato e fica ainda mais bonito. A vista da cidade também é interessante.

Dei uma volta enorme para chegar ao albergue, por sinal muito bom. Particular, cobra 6 Euros. Logo após a minha chegada desabou uma trovoada. Ficamos 6 peregrinos, número só ultrapassado em outro albergue, o de Alcuéscar, muito mais adiante, já perto de Caceres. A cidade é interessante. Tem construções diferentes, embora nada espetacular. Correu tudo muito bem, salvo porque sumiu ou perdi minha máquina fotográfica, com as fotos do Monte Calvário e da Cidade. Além do mais, era a minha máquina preferida...

Um dos peregrinos espanhóis, de Barcelona, estava com início de tendinite (teve que desistir mais adiante), porque andou muito rápido. O Caminho é duro, a subida é constante, o calor é forte. Tudo isto tem que ser respeitado. Resumi esta etapa assim: Muita Paciência e Penitência para hegar ao Calvário.

4ª Etapa - Almadén de La Plata/El Real de la Jara

Fiquei muito tempo tentando achar a minha máquina. Confesso que foi um verdadeiro exercício de desapego e que fiquei chocadíssima quando me dei por conta do desaparecimento de manhã. Antes de sair voltei aos lugares em que estive (igreja e restaurante) e já deixei a cidade às 10:15h, com uma energia baixíssima. Logo na saída da cidade passa-se por uns sítios com muitos cachorros, daqueles que avançam. Fiquem atentos.

Continua-se no sobe e desce aos pouquinhos. Fiquei muito surpreendida porque atravessa-se o tempo todo pequenas propriedades, passando muito perto das casas. O ponto alto desta etapa é o Monumento a SALVADOR SALVADOR, um dos fundadores da Associação de Sevilla, responsável pela revitalização dessa Ruta e que morreu nesse trecho. As cinzas dele estão depositadas sob um azulejo, na fachada de um outro albergue, mais adiante.

Por favor, quando fizerem o Caminhom tirem uma foto do Monumento, tão singelo, para mim. Não tenho fotos desta etapa. Só pude comprar uma outra em Real de La Jara, muito simples, mas que deu conta do recado. Em Real de la Jara fiquei na pensão de nº 70 (10 Euros, sem banho privado). É, na verdade, uma residência, aberta para hóspedes. Na cidade há um Castelo, numa colina, cuja visita é imperdível (vão, mesmo que não fiquem na cidade). É uma fortaleza, construída por Afonso XI, para defenderem-se das invasões portuguesas, dos ataques da Ordem de Santiago e de salteadores. De lá tem-se vista de 360º, avistando-se as ruínas do Castelo da Ordem de Santiago, que fica 1 km adiante, na rota, com direito a cartaz explicativo (há muitos cartazes explicativos em toda a rota). As pessoas ficam sentadas nas calçadas, conversando, até tarde. Meia noite ainda conversavam... Se vocês não ficarem em El Real, se não tiverem construído mais alguma coisa no caminho, terão que andar mais 22 km até Menestério. Se ficarem, como eu fiquei,e se forem sair antes das 8 horas, vão até as ruínas do Castelo da Ordem na véspera, pois não tive coragem de entrar quando passei 6;30, pois apesar da lua lindíssima, estava muito escuro. Li o cartaz com lanterna.

5ª Etapa - El Real de Jara/Menestério - 22km

Saí às 6:30h. Etapa MARAVILHOSA. As estrelas e a lua iluminavam a estradinha bucólica. Lindo!!!

Logo, logo, cheguei ao Castelo da Ordem de Santiago (1km). Parecia cena de filme!!! A silhueta e sombras do Castelo ofereciam um espetáculo realmente deslumbrante. Fiquei um tempo parada admirando tanta beleza. Não fui até lá (fica a uns 100m da beira do Caminho) por não me sentir segura para tanto naquele momento, pois já havia um carro parado e mais um parou na estradinha (provavelmente casais aproveitam o cenário...). Há um completo cartaz explicativo em frente ao Castelo. Li com a luz da lanterna...

Mais adiante, lá pelas 10 horas, encontrei um carro da polícia de Menestério. Pararam para me saudar e avisaram sobre o Albergue, na verdade um cômodo com dois beliches, na Cruz Roja local, logo na entrada da cidade (se estiver fechada a chave pode ser apanhada no Hotel Noya, próximo).

Neste trecho há duas Ermidas dedicadas a São Isidoro. Uma nova, pintada de branco e amarela, no meio de um grande gramado, onde são celebrados os festejos no dia do Santo (há romarias para o local) e a outra, antiga, logo adiante, pequenininha, no meio de pinheiros, erigida no local onde o corpo do Santo descansou quando estava sendo transportado para Leon.

Após a Ermida, o Caminho é uma trilha bucólica, entre pinheiros, bem sombreada, com algumas pedras. Aí, também, é o limite da Província de Sevilla (Regìão de Andaluzia) com a Província de Badajoz, na Região de Extremadura (a rota não passa na capital, Badajoz).

Quando se alcança a estrada, a trilha é estreitinha,na parte plana do terreno íngreme, pelo lado esquerdo da estrada, por fora (após o guarda rail, bordeada por pés de figos (depois de cerca). Este trecho só é acessível pelos peregrinos a pé. Os demais têm que ir pela carretera. Exige atenção, mas é divertido.

Adiante, encontrei moradores da região correndo (uns 5 km antes de Menestério). É um bonito espetáculo, muito agradável para quem vem sozinha. Há, também, um pouco adiante, uma ruina pequena (não identifiquei bem o que) antes de uma subida.

Em Cruz del Porto (monumento), já chegando em Menestério, há uma área de descanso. As acomodações do "albergue" são muito simples: um quarto, com dois beliches e banho privativo para os peregrinos (só ficamos 2, eu e o Sergio, de Barcelona, que estava machucado.

Há, na cidade, Hotel e vários Hostais.

Menestério é famosa pelos JAMONS de cervo de pata preta (tipo mais apreciado e caro, por ser feito de um tipo de porco especial, alimentado apenas com sementinhas de uma árvore que não me lembro o nome agora, mas que é algo com encinas).

Carimbei a credencial no Hotel Noya (fechado porque era domingo, mas com atendente para esses casos) e na Igreja.

A cidade, como todas as outras nesses dias, estava em festa, com lindas novenas, pois no dia 08 de setembro seria celebrada a Festa de Nossa Senhora (a da Padroeira de cada cidade). É importante registrar que a 7 km de Menestério, fora do Caminho, há um Monastério da Ordem de Santiago, com Igreja no estilo gótico, que vale a pena ser visitado. Há que prestar atenção, pois acho que o horário de visita é até 17h (talvez o melhor seja pegar um táxi até lá e pedir para esperar o voltar a pé, sem pressa). Não visitei,porque não havia tempo, mas ví a Santa, que estava na cidade, para ser levada até lá em Romaria no dia 8.

Jantei no DISCOBO.

6ª Etapa - Menesterio/Fuente del Cantos - 22KM

Esqueci de mencionar, na descrição das etapas anteriores, que a sinalização muda na Província de Extremadura: passa a ser feita com uns cubos de concreto, com um desenho na parte superior que indica a direçãoa ser seguida. Na lateral, há uma faixa amarela, verde, ou azul, indicando se o Caminho é novo, Caminho antigo ou Via Romana (muitas vezes a verde coincide com a azul e isto é indicado no cubo com as duas cores).

Por aí já se torna mais evidente os vestígios ou testemunhos santiaguense no Caminho. É emocionante ver os marcos das passagens remotas por essas bandas, seja de peregrinos (há igrejas, monumentos ligados ao Caminho de Santiago e a outras peregrinações o tempo todo), de comerciantes,ou de guerreiros.

Há muitos, muitos, sítios arqueológicos na Ruta de La Plata, sobretudo na Extremadura. A região é um verdadeiro museu a céu aberto. Às vezes você passa ao lado de escavações em andamento. Isto vai acontecer mais um pouco adiante, mas já estou adiantando porque as Calzadas Romanas já aparecem aí e você caminha sobre elas em longos trechos, como fizeram os peregrinos da Idade Média.

Outra coisa que precisa completar/retificar é a de que além do Castelo da Ordem de Santiago, nas proximidades de Menestério, há o Monastério de Tentudia, dedicado a Virgem que tem esse nome, cuja imagem foi a que vi na Igreja e que me confundi na descrição anterior. O Monastério está erigido numa montanha, a mais ou menos 8 km de Menesterio, e tem este nome porque foi lá que foi travada importante batalha entre Mouros e Cristãos. Os Cristãos venceram os Mouros porque a Virgem atendeu aos seus pedidos e lhes apareceu no final do dia concedendo mais uma hora de sol, e teria pronunciado a frase: Tende tu dia.

No Monastério há imagem de Santiago. Era esse Monastério que eu queria visitar e não deu tempo. Se organizem para visitar. Fecha às 5. Cheguem cedo, para dar tempo para fazer a caminhada de 8 km, ou vão de táxi.

Vamos, então, a esta nova etapa.

Fui premiada com pouco sol. Estava nublado, o que facilitou a etapa, que é quase toda atravessando campos de agricultura, tudo muito seco, em razão da época.

Segundo o meu guia (livro) estes campos ficam cobertos de flores em abril e maio, que, repito, é considerada a melhor época para fazer este Caminho.

No meio desse nada muito seco fui novamente premiada com um melão fresquinho dado por um agricultor (Sr. José Antonio) que tem sempre uma fruta e água para os peregrinos em seu trator.

Num dado momento, aparece a sinalização do albergue de Fuente, e num certo lugar há uma caixinha que tem um livro para assinar. Não entendi que era para abrir e não assinei. Foi uma pena!!!

Abram a caixa, retirem o livro que estava enrolado num plástico e assinem.

O Albergue é fantástico!!! É um Albergue Turístico (18 Euros), mas um luxo, muito bem dirigido por Felipe. Na verdade é um Centro de Interpretación de Zurbarán, funcionando num prédio antigo (Convento), com reminiscência da capela, museu e um documentário sobre a vida de Zurbarán, que nasceu, viveu e trabalhou muito na região. Há uma excelente cafeteria, freqüentada por locais, e internet.

Vale a pena visitar a cidade e as igrejas locais, inclusive a Hermita de La Hermosa (onde estavam se realizando os festejos da Virgem).

Na Igreja principal, há estátua de Santiago no Altar. Consegui as chaves com uma freira, na subida entre o Albergue e a Praça, numa espécie de asilo, do lado esquerdo no número 16 da rua, bem perto do Albergue. Lá também pode receber hóspedes(são as freiras que ocupavam o convento onde é hoje o Albergue. Ela foi comigo até a Igreja. Tudo por "mero acaso", por perguntar à pessoa certa, no momento certo).

(continua)

R E L A T O S